Nas profundezas da leitura

October 2, 2017 2115 By Michelle Prazeres

O relato de especialistas e os dados do IBGE mostram um cenário complexo no que diz respeito, não apenas à leitura de revistas, mas à leitura como um todo. 

Pensando na importância da voz de profissionais da área para tratar do assunto, falamos com os professores universitários e jornalistas, Marcio Rodrigo e Cilene Victor.

“Chegamos em um ponto que apenas 3% da população brasileira consome revistas impressas, o que é ridículo quando a gente vê que a TV, por exemplo, é consumida por 70% da população! As pessoas não estão mais lendo revistas!”

 

 

O advento da internet reconfigurou a realização de certas atividades, incluindo as de pesquisa, além de ser também um local de descontração, ela se tornou fonte para passatempos e estudos. Se é possível e provável imaginar a internet como uma ferramenta capaz de alterar diversas perspectivas:  por que não revistas? De acordo com o professor Marcio Rodrigo: “As redes sociais tem um caráter revisteiro.” As interações sociais que se dão por meio da rede são igualmente legitimas?

Possivelmente o problema da leitura se encontre não na falta dela, e sim, em sua legitimidade. O quanto um “textão” opinioso no Facebook tem o valor de uma coluna? O quanto entram nas estatísticas esses processos difusos e transversais provenientes do mundo moderno? Para essas perguntas contemporâneas, as respostas se encontram abertas.

É possível dizer, no entanto, que há uma queda significativa no número oficial de leitores. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o número de leitores brasileiros caiu em 7,4 milhões em 2011.O Brasil ainda tem 12,9 milhões de analfabetos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada ao final de 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O retrato nos leva a um questionamento ainda mais alarmante.

“Quem é esse consumidor das revistas impressas? Qual é a classe social desse leitor? Com essas informações podemos ter uma ideia se esse meio (revista) está crescendo ou não. O ponto que queria trabalhar com vocês, a questão, é que não é o consumo de revistas em si mas quando eu cruzo a questão da leitura e do público, com essa faixa etária específica e, mais específica ainda, quando falo do estudante universitário.”

 

 

O quadro mostra um problema que não é só das revistas. Não é apenas o formato, é também o formato. Não é apenas o desinteresse, é também o desinteresse. Esses dois fatores, aliados com a queda na leitura avaliada pelo IBGE, salientam um problema complexo, único e difuso